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Antes de cortar a primeira peça
Ler as plantas e escolher a escala com que se vai viver
Um plano de modelismo naval traz, no mínimo, três vistas: o perfil longitudinal, a planta do convés e as secções transversais. O perfil dá a curvatura da quilha, do talha-mar e do cadaste; a planta dá a largura em cada estação; as secções dão a forma do costado, que é o que realmente comanda o forro. Quem começa pelo desenho de conjunto e só depois olha para as secções costuma descobrir tarde de mais que o casco não fecha como imaginava.
A escala é a primeira decisão irreversível. Uma nau de 1:96 cabe numa estante corrente; a mesma nau em 1:48 ocupa quase um metro e exige uma vitrina feita à medida. Antes de comprar madeira, vale a pena medir o sítio onde o modelo vai ficar, descontar a base, a caixa e a folga para manusear, e só então confirmar a escala. Em escalas maiores há espaço para detalhe verdadeiro — aduelas, cavilhas, ferragens; em escalas pequenas, o excesso de detalhe transforma-se em ruído.
Vale também converter algumas medidas à mão logo no início, para perceber o que a escala implica: um cabo de 60 mm de circunferência real dá, em 1:96, um fio de cerca de 0,2 mm; uma tábua de convés de 25 cm fica com 2,6 mm. É esse cálculo simples que evita cabos com aspecto de corda de amarração e réguas de convés demasiado largas.
- Confirmar a unidade das plantas e comparar a escala gráfica com uma régua.
- Medir o espaço final disponível, incluindo base e vitrina.
- Fotocopiar os gabaritos e trabalhar sobre cópias, nunca sobre o original.
- Marcar as estações com números e mantê-los visíveis até ao fim do forro.
- Fazer uma tabela de conversão das bitolas de cabo mais usadas.
- Escolher madeiras com grão fechado: tília, pereira, buxo, pinho para o primeiro forro.
- Preparar uma superfície de trabalho plana e verificada com esquadro.
- Guardar as sobras identificadas por espessura — servem para gabaritos.